quarta-feira, 25 de novembro de 2009


ÁGUA PÉ NÃO DÁ FLOR.SÚPLICA DO RIO - (MILONGA)
LETRA: PAULINHO PIRES
INTERPRETAÇÃO: IONE E GRUPO TEMPERO

AJOELHADO
NA BARRANCA DO MEU RIO,
HOJE TRISTE LAVO ROUPA
PRA VESTIR A SOLIDÃO.

O CANIÇO DE ALFINETE
QUE EU PESCAVA LAMBARI...
SÃO RETALHOS DA INFÂNCIA
TRANSFORMADOS EM SAUDADE,
QUE JUNTANDO FIZ UNS VERSOS
PRA COMPOR ESTA CANÇÃO

NÃO DEIXEM MORRER MEU RIO,
ME AJUDEM POR FAVOR!!!
O BIGUÁ QUE MERGULHAVA, JÁ MORREU
ÁGUA PÉ NÃO DÁ FLOR.

EM MOMENTOS DE ANGÚSTIA
AO PENSAR ESTANDO SÓ,
VEJO O RIO DA MINHA INFÂNCIA
A CORRER BUSCANDO O MAR;
SINTO SEDE DE ÁGUA PURA
QUANDO A “NATUREZA” CHORA
NO SILÊNCIO DAS BARRANCAS
ME PEDINDO PRA CANTAR

NÃO DEIXEM MORRER MEU RIO,
ME AJUDEM POR FAVOR!!!
O BIGUÁ QUE MERGULHAVA, JÁ MORREU
ÁGUA PÉ NÃO DÁ FLOR.

VENDO AS ÁGUAS POLUÍDAS,
DO MEU CANTO FAÇO REZA,
A VIOLA NA CANTIGA
É MEU TEMPLO DE ORAÇÃO;
QUERO-QUERO ESTÁ MORRENDO
PELAS VÁRZEAS DO MEU CAMPO,
O SEU GRITO É UM LAMENTO
SUPLICANDO NESTE CHÃO

NÃO DEIXEM MORRER MEU RIO,
ME AJUDEM POR FAVOR!!!
O BIGUÁ QUE MERGULHAVA, JÁ MORREU

terça-feira, 24 de novembro de 2009

"Se o homem não for capaz de honrar o contrato com os animais,
ele poderá seguir o mesmo caminho do dinossauro, tornando-se um fóssil numa era futura..."

segunda-feira, 23 de novembro de 2009



Na segunda de manhã é preciso descontrair um pouquinho.

A professora estava irritada com seus alunos que não responderam às questões da prova então disse:
-Quem for burro fique de pé!
depois de um tempinho joãzinho se levanta e a professora fala:
-Então você se acha burro, não é joãozinho?
-Pra falar a verdade, não, "fessora!"
Mas eu fiquei com dó de ver você ai, em pé sosinha!

sábado, 21 de novembro de 2009

ESPERANÇA
Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano Vive uma louca chamada Esperança E ela pensa que quando todas as sirenas Todas as buzinas Todos os reco-recos tocarem Atira-se E ó delicioso vôo! Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada, Outra vez criança... E em torno dela indagará o povo: — Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes? E ela lhes dirá (É preciso dizer-lhes tudo de novo!) Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam: — O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA... "Nova Antologia Poética", pág. 118, Ed. Globo - S. Paulo, 1998.

SE EU FOSSE UM PADRE
(Mário Quinta)
Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões, não falaria em Deus nem no Pecado - muito menos no Anjo Rebelado e os encantos das suas seduções, não citaria santos e profetas: nada das suas celestiais promessas ou das suas terríveis maldições... Se eu fosse um padre eu citaria os poetas, Rezaria seus versos, os mais belos, desses que desde a infância me embalaram e quem me dera que alguns fossem meus! Porque a poesia purifica a alma ... a um belo poema - ainda que de Deus se aparte - um belo poema sempre leva a Deus!

CAMINHO
(Mario Quintana)
Era um caminho que de tão velho, minha filha,
já nem mais sabia aonde ia...
Era um caminho
velhinho,
perdido...
Não havia traços
de passos no dia
em que por acaso o descobri:
pedras e urzes iam cobrindo tudo.
O caminho agonizava, morria
sozinho...
Eu vi...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Nem sempre sou igual


NEM SEMPRE SOU IGUAL

(Fernando Pessoa)

Nem sempre sou igual no que digo e escrevo.
Mudo, mas não mudo muito.
A cor das flores não é a mesma ao sol
De que quando uma nuvem passa
Ou quando entra a noite
E as flores são cor da sombra.
Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores.
Por isso pareço concordar comigo.

Reparem bem para mim:
Se estava virado para a direita
Voltei-me agora para a esquerda.
Mas sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés -
O mesmo sempre, graças ao céu e à terra
E aos meus olhos e ouvidos atentos
E à minha clara simplicidade de alma...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Passa uma Borboleta por diante de mim



PASSA UMA BORBOLETA POR DIANTE DE MIM

Fernando Pessoa

Passa uma borboleta por diante de mim
e pela primeira vez no universo eu reparo
que as borboletas não têm cor nem movimento,
assim como as flores não têm perfume nem cor.
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,
no movimento da borboleta o movimento é que se move,
o perfume é que tem perfume no perfume da flor.
A borboleta é apenas borboleta
e a flor apenas flor.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A BORBOLETA


A BORBOLETA

(Humberto de Campos)

Vendo o céu limpo e calmo, e o sol brilhando
no alto azulado, trêfega e vadia,
vê-lo de perto, lépida, bailando,
quis a flava borboleta, um dia.

E abrindo as asas trêmulas e alando
o corpo frágil dentre a ramaria
rociada, as moitas e os rosais deixando
- qual uma leve pétala erradia -,

na onda do vento que a arrebata e anima,
rodopiando, festiva e tonta, pelas
vagas de ouro, e a ambalar-se altura acima,

- ei-la em busca do sol, de asas expertas,
julgando o louro apagador de estrelas
uma rosa de pétalas abertas.

E ei-la no azul. O sol, o azul tauxeia.
A luz gloriosa, numa loura chama,
se alastra. Uma harpa na amplidão gorgeia
as harmonias orfeônicas derrama...

E tudo busca a borboleta! Cheia
de amor e de ânsia, fulgurando, a trama
de ouro do sol a envolve; o vento ondeia,
e sopra, e, em festa, buliçoso, brama.

E ei-la vencida pelo sol que a embriaga
e a doura: envolta no fulgor faiscante
da luz que os vastos páramos alaga!

Tonta e perdida! enquanto o vento arpeja
e canta e sopra e a leva, e a luz, brilhante
e forte, a cega, e, num delírio, a beija!...